sábado, 3 de dezembro de 2011

Resenha do Capitulo Amarelo e Vermelho: Aluna NAYARA PINHEIRO

RESENHA CAPÍTULO VERMELHO – VIOLÊNCIA E PAIXÃO

     O autor vem afirmar neste capítulo, sobre a força da cor vermelha. Ele coloca que para compreender melhor isso, é preciso estudar as outras cores que podem ajudar a definir seu espaço simbólico.
     Ele vale-se dos estudos da física, que explicam que o vermelho está no limite entre a cor visível, com um comprimento de onda entre 630 a 760 milimícrons. Isso então, explica parte da agressividade dessa cor. Além disso, há estudos também sobre o olho humano, que capta o vermelho de maneira predominante, formando uma imagem mais forte.
     Depois, o autor fala sobre a importância da cor verde como sendo oposição ao vermelho, afirmando que essa relação é a relação água-fogo. O verde é a cor que ocupa a posição central no espectro eletromagnético, e é no verde que a retina encontra seu ponto de maior sensibilidade, e é a cor recebida de forma menos agressiva, com maior passividade. Ou seja, o verde traz maior tranqüilidade.
     Logo, ele indaga se seria o verde a cor da esperança, citando o caso da ponte em Londres, que após ser pintada de verde, diminuiu consideravelmente o número de casos de suicídio, além de casos como o dos jogos desde o futebol até os cassinos, onde o verde está fortemente presente.
     Coloca também a inversão que ocorreu com o verde, passando a ser a cor da permissão, e não mais da transgressão como era na idade média e até na moderna, e também como sendo a cor do equilíbrio, tanto pela sua posição no espectro da luz branca, como por ser a mistura das cores opostas: azul e amarelo.
     Há ainda a afirmação no texto de que existe um sentido positivo e negativo para cada cor.
     O autor apresenta a relação unânime que vários autores fizeram com relação ao vermelho: violência e paixão. Pastoureau, Ivan Bystrina, Kandinsky são os autores que relacionam o vermelho ao sangue e ao fogo.
A medicina utiliza essa cor na cruz, que indica o sangue da vida. No amor essa cor é simbolizada com coração vermelho. É a cor do amor divino, cor de Dionísio, da maçã do paraíso, do vinho, das vestimentas de Baco, do amor carnal, da paixão, do coração, dos lábios, do erotismo e da atração, é a cor da guerra, do manto de São Jorge, O vermelho é manifestação do sistema de alerta do corpo. É a cor da paixão que aquece como fogo, e indica também a proibição: não toque no fogo! Cor do pecado. Cor do perigo, como nos semáforos, nas sinalizações, etc.
     O autor apresentou, portanto, os pressupostos de investigação da simbologia das cores, e finaliza apresentando um exemplo da aplicação da simbologia das cores na mídia, utilizando-se então, das capas da revista Veja. Agrupou, então, essas revistas conforme o conceito de vermelho que foi utilizado, para ajudar a identificar o simbolismo e o sentido construído com aquela aplicação, sem atribuir valores para o conteúdo jornalístico das capas de revista.
A revista sempre, desde sua primeira publicação, se utilizou da cor vermelha em sua capa. Grande parte delas, as quais pode-se considerar o uso do vermelho significativo, tem conotação direta com violência. Nesses casos, foram analisadas algumas capas, nas quais os crimes não são representados com cenas reais onde há sangue, mas sim com uma representação deste com alto grau de realismo, como no exemplo da capa: O massacre dos meninos (28/7/93), onde há uma vela com a parafina derretida, transformada em sangue.
Além disso, o vermelho nas capas da Veja, foram amplamente utilizados em matérias de cunho revolucionário, assuntos da medicina, para a idéia de negação de acontecimentos sociais como crises e corrupção, para temas de sedução e sexo (mesmo sendo poucas), terrorismo, guerra, torturas e tragédias.
O autor finaliza, afirmando que para a revista Veja, o vermelho foi vinculado, sobretudo à ruptura da ordem social, é a cor que se impõe. Afirma também que a cor, pode adquirir uma simbologia e ser utilizada a favor da informação e da comunicação.


RESENHA CAPÍTULO AMARELO – TESOUROS DO ARCO DA VELHA

     Neste capítulo, o autor pretende abordar sobre os códigos terciários da comunicação das cores, que são os códigos culturais. Neste estudo, a cor assumirá a função de texto, neste sentido carregado de simbolismo.
O autor, então, ressalta a importância fundamental deste capítulo para o uso adequado da cor como informação, visto que a cultura é um sistema de códigos socialmente compartilhados.
     Ele apresenta exemplos de uma espécie de inversão no uso da cor. Como no carnaval de 1997, em que a Viradouro ganhou como melhor escola por realizar uma inversão no uso das cores, valendo-se do preto, ao invés das cores mais utilizadas como azul, dourado, etc. O preto simbolizava as trevas que antecederam à criação do universo.
Também apresenta o exemplo do governo do presidente Fernando Collor de Mello, que realizou um pronunciamento para que a população desse uma resposta àqueles que ele considerava “a minoria baderneira que procurava desestabilizar caluniosamente seu governo collorido”. Ele propôs que a população vestisse verde e amarelo, e fosse para as ruas, praças, etc. Mas a população vestiu-se de preto, numa forma de manifestação contra o próprio presidente, que estava impopular. Esse episódio ficou conhecido como “domingo negro”.
Nos dois casos, a cor foi utilizada principalmente na sua dimensão simbólica, como código terciário, cultural.
     Em seguida, o autor traz que a estrutura fundamental dos códigos terciários, é construída sobre oposições: que ela e binária, a binaridade é organizada em polaridades, e a polaridade é assimétrica. 
Ele exemplifica com a mais importante oposição do início da cultura: vida-morte. A correspondência cromática da binaridade vida-morte está na oposição branco-preto.
Essa binaridade é polarizada e assimétrica, atribuindo-se o valor positivo ao branco e o valor negativo ao preto, início e fim.
     Depois o autor fala sobre a classificação cultural das cores, fazendo a seguinte indagação: “Pode um mesmo estímulo parecer diferente para diferentes povos simplesmente porque eles são membros de diferentes culturas?”
Daí ele exemplifica com o caso do arco-íris, que desde que Isaac Newton demonstrou que a luz branca é formada por diversas luzes de diferentes comprimentos de ondas, aprendemos que ele tem sete cores. Trata-se de uma convenção, pois são projeções cujas nuances são inúmeras na passagem de uma cor a outra.
Ele fala que a cor depende muito mais da linguagem natural (verbal) e dos instrumentos de armazenamento e transmissão do que muitos outros códigos, e conclui que a cultura é dinâmica e há variabilidade em relação ao tempo.
     O autor finaliza concluindo que quando se trata de culturas diferentes, o que importa ressaltar é que “todo sistema cultural tem a sua própria lógica e não passa de um ato primário de etnocentrismo tentar transferir a lógica de um sistema para outro.”

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